quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Muito fácil falar a quem já desenvolveu a catarata passional para que olhe ao chão onde pisa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quando a voz que era brisa acalentadora se torna torrente que acidenta, passa-se a temer o silêncio.

Blog não encontrado

Desculpe, o blog que você estava procurando não existe. No entanto, o nome tomandonokoo está disponível para ser registrado.

(essa octogésima postagem eu dedico a tudo que foi sepultado, mas continua vivo.)
"Não te demores nas ondas
Que se quebram a teus pés; enquanto
Estiverem na água, novas ondas
Se quebrarão neles".

Quando menos se espera, a mesma playlist [da vida] se repetiu incontáveis vezes.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E aí que o filme acaba. Os créditos passam, a música finda, e a vida clama. O ciclo recomeça. A pausa excepcional se encerra, e tudo volta ao habitual. Não adianta secar as lágrimas, elas marcam a pele. Elas marcam a alma. Não adianta fugir da vida, do passado, tentar ignorar o futuro-presente. Tudo clama, e nem os surdos são capazes de obliterá-lo. Obliteração. A vida é assim, rumos tortos, perspectivas irracionais. E querer negá-lo é bobagem. Nossa teatralidade é um espelho. Não adianta fingir de tudo fantasia, pois estamos somente a nos ver. Somos palco, ator, e plateia. E os laços sociais mantém o apego. Pois sem o apego, se permite ao barco velejar sem destino, se deixar levar pela maré de nuvens... até que um dia esteja geograficamente perdido - pois todo barco perdido o já é em potência; todo barco que se perde no mar, já perdido era ancorado na costa. Só nos resta juntar a mão no rosto e esperar que as lágrimas percorram o caminho da vida o quanto antes, pois o passado brada tão forte que afugenta o futuro.

Não adianta chorar pela companhia ausente. Sentar e descobrir que seu único confidente era mudo de palavras e hoje mudo de vida não é acalentador. Então, não me peçam pra deixar passar. Não me peçam, por favor, pra ser forte. Porque fortitude implica fraqueza. E já sei de todas as minhas fraquezas, deixem-me ser fraco para poder encontrar forças em algum lugar.

Antes eu não colocaria esta foto, mas seria muito desrespeito.


Não foi uma erupção, um incêndio, uma bomba atômica... foi só uma brasa... que a cada suspiro, revive. "Só dói quando eu respiro".

A Viagem de Chihiro - Vagão de espíritos
Às vezes a vida é assim... um vagão de lembranças translúcidas que rumam em trilhos submersos. Cada qual apegado a sua própria bagagem, cada qual com sua própria teleologia.
Um hora no filme, em que Chihiro vai tentar uma empreitada pra salvar os pais, ela fala: "Eu não sei se eles realmente valem o esforço". Veja bem. Ainda que não sejam os melhores pais do mundo, ela se arrisca, chora, faz de tudo para salvá-los. Ela não procura salvar somente seus pais, sua figura, mas sim sua vida. E aí a gente se percebe nesse dilema. "Eu não sei se vale o esforço". Chihiro entra num novo mundo sem amigos, sem um lugar seguro, sem promessas. Sai de lá repleta de amigos, repleta de histórias, sai de lá com um amor verdadeiro. Mas ainda assim volta pra imperfeição de sua outra vida. Muito triste a parte em que Lin a pede para voltar antes de Chihiro pegar o trem. Vocês percebem como Chihiro era uma significação à vida? Muitíssimo triste ver o escravo da fornalha lhe dando as passagens de trem que guardou por 40 anos. Ela era uma significação a ele também. A única lembrança física que Chihiro leva de volta é a "gominha de cabelo" tecida pelos seus amigos. Acho que A Viagem de Chihiro é um filme que catalisa muito bem o que é toison d'or (pastel seco, o bastão de desenho que se parece com um giz) na vida - o passado, a infância e a fantasia.

Aí, tudo o que resta é respirar... ainda que doa, que todas as vezes a brasa arda e o coração aperte, é necessário se ventilar e se deixar mudar de ser, pro passado passar e pro futuro bradar. Ninguém lerá, mas...


bonjour, bonheur.
joyeux anniversaire, tristesse.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nostálgica fruta

Minha casa é Mangueira. Verde e Rosa. Verde da folha, Rosa da fruta. Em casa temos uma senhora, sexagenária que esconde sua idade debaixo da sombra da cabeleira frondosa, que nessa época do ano se enfeita com vários brincos-penduricalho e colares-pendentes e terços de contas barrocas em seu verde-róseo e impressionistas nas suas pintas rosas-verdejantes. Diástoles doces e sístoles azedas contidas em cada fio da renda interna dos corações-de-mãe que se amontoam como tri, quadri, miligêmeos no cordão umbilical, de pele assim tão macia pra seduzir o dentes mais que qualquer maçã abestalhada. No final cada mordida é um passar de fio dental inverso, sedimenta-se as entradas da muralha-arcada ao invés de desentupi-las. A mais (doce) (bem sucedida) (carnavatropicalesca) operação tapa-buracos que se tem notícia! Tão proativas quanto qualquer bacilo-vibrião-bastonete, as estafilococos estabanadas adiantam-se à queda e brotam antes de se soletra \man\<péde>\ga\. De fato, trocam os pés pelas mãos. Ah, se Newton comesse mangas. Nunca teríamos um físico, mas sim um filósofo, um poeta, um mestre-cuca, mas antes de tudo um glutão, apaixonado com a sede da queda contida em cada um desses corações. Nietzsche, então, nunca seria o velho-babão de misantropia, mas antes um velho-babado de manga. Ele certamente não diria de monstros e dos seus abismos, mas sim de mangas e dos seus abismos contidos. Nem mousse, nem chutney, nem Tommy. Manga boa é manga de pé, manga de fibras mais longas que a cabeleira de Yemanjá. Mais longas que as de qualquer papel metido a gueixa.

Quem sabe o texto continue. Que seja feito os fios de manga; Estendem-se em comprimento, estendem-se em conjunto, estendem-se nos outros!

sábado, 17 de setembro de 2011

Onda ou nado

Deixa eu te moldar com as mãos. Deixa eu te moldar com o coração. Você é assim, argila. Só me explica se és feito de pena ou de barro. Quero saber se é assim Anjo, pra eu me agarrar a cada pena solta de me deixar levar na brisa dos seus beijos. Quero saber se é assim Homem pra eu não me lavar do seu rastro de mão, pra eu me deitar na contraforma do teu abraço, e por minha alma na bolha de ar do seu coração. Deixa eu catar suas pedras, deixa eu te deixar assim molim com o vinho da minha paixão, ébria. Me apaga o fogo e deixa acesa assim a minha brasa com seu canto de ar suave. Não me peça pra mergulhar nesse seu manguezal, qu'eu fico assim perdido, me agarro às suas raízes aéreas, acabo caranguejo andando de lado na pista do nosso caminho. Não me peça pra pular do precipício, nem pra olhar pro abismo, ele olha de volta. Não me peça pra ficar debaixo da sua asa, que não aguento mais essa sua sombra que te finge, mas que só permite um carinho no chão. Não me permita nunca te queimar com o fogo do meu amor, mas nunca se esqueça da minha forma... não te aguento assim, chão. Não me permita nunca te engaiolar, que senão acabo preso do lado de fora.

Me diz como será o amanhã pr'eu esperar alguma coisa. Ou nada.