E o que acontece quando você se percebe matando grupos de estudos (y otras cositas más)? Me sinto malbagarai por isso, mas, gente, não dá, sabe? Imaginar aquele bando de gente (feia, mal educada, disléxica, chata...) falando de redundâncias e adjacências, ou então ir pra uma reunião maconhada onde só tem gente que te acha random e alheio (e que você muito presume que mandarão uma ata com tudo que você precisa pra desanimar de frequentá-la).
Me dá um medigno de ficar igual patrícia, dez cursos diferentes, nenhum completo, funcionário público na Rondônia. Poderia até pensar "aff, ay xente 1 dia a menos naum teim poblema o foda eh qndo vse si acostuma", mas, oi? lógicakd.
Por isso vou pra casa agora desenhar, escrever, esperar o tempo escorrer (ou mais precisamente escorregar e cair de bunda, até levantar comigo de manhã), ler, ouvir, e tentar pensar em outra coisa que não na necessidade patológica (e eu sei que pelo menos você entende dessa necessidade, né? ou não, sei lá).
*abre nova aba, joga horário s50 bhtrans*
Tchauses, povo de biblioteca de biblioteconomia, somente o amanhã me aguarda, e as suas vidas alheias não vivo mais. A vida alheia que vivo parece ser só uma, agora. Ou não, sei lá.
[PS.: esse novo design do Blogger é uma grassinia, mas não tenho certeza se curti muito essa coisas a lá A Ilha não. Não obstante já me sentir meio *louco* *cagado* *miss lexotan 6mg garota* filme.indie com esses posts rivotril-like, o layout ainda tem que legitimar isso!? Desse jeito acabo viciado em the.sims.de.facebook... ou não tendo religião e odiando cristão - oh wait]
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
post vazio
Cada momento histórico de nossas vidas carrega consigo o sumo de toda nossa vivência. A cada momento histórico, o zeitgeist do tempo de cada um nos toca, como o anjo que nos tangencia com suas asas a cada rasante. A cada momento histórico prenuncia-se o seu próprio fim.
Meus eus estão cada vez mais longes uns dos outros, e sua morte é cada vez mais iminente. E o que eu posso fazer? ou me agarrar a eles com a maior força e número de lágrimas possíveis, ou me juntar a eles, no buraco negro, no vão na parede que ladeia o infinito, na pausa da música, onde todas as cores estão sobrepostas por uma fina camada de preto.
Eu consigo sentir o tempo escorrer no âmago do meu ser. E a cada torrente, a cada nova maré cheia, vazia, ressaca, algo de mim dilui-se. As cores me levam a um lugar-comum esquecido. Se tudo que está em mim esvai-se, o que eu sou? Se eu sou "a mim" e "aos outros", como posso preencher-me de mim [com o meu vazio] e com os outros [com sua distância]?
Heráclito de Éfeso é o maior pessimista que já houvera. Ele sentia o tempo escorrer, e via, assim como eu, que nada adianta arrastar-se pelo leito lamacento das memórias, pois, ali, não há nada além de detritos e água turva.
Meus eus estão cada vez mais longes uns dos outros, e sua morte é cada vez mais iminente. E o que eu posso fazer? ou me agarrar a eles com a maior força e número de lágrimas possíveis, ou me juntar a eles, no buraco negro, no vão na parede que ladeia o infinito, na pausa da música, onde todas as cores estão sobrepostas por uma fina camada de preto.
Eu consigo sentir o tempo escorrer no âmago do meu ser. E a cada torrente, a cada nova maré cheia, vazia, ressaca, algo de mim dilui-se. As cores me levam a um lugar-comum esquecido. Se tudo que está em mim esvai-se, o que eu sou? Se eu sou "a mim" e "aos outros", como posso preencher-me de mim [com o meu vazio] e com os outros [com sua distância]?
Heráclito de Éfeso é o maior pessimista que já houvera. Ele sentia o tempo escorrer, e via, assim como eu, que nada adianta arrastar-se pelo leito lamacento das memórias, pois, ali, não há nada além de detritos e água turva.
domingo, 21 de agosto de 2011
Inércia Proativa
Sabe, às vezes eu, de fato, sou como um vampiro que suga a pneuma alheia, tal como está no "sobre mim". Não quero dizer que eu seja invejoso, copioso ou qualquer desses adjetivos que os escritores de auto-ajuda de Lojas Americanas tanto gostam de falar (que não passam, ao meu ver, de maquiagens pra algo muito mais profundo: o cerceamento da vida que o capitalismo promove). O que acontece é que eu vejo a vida (dos outros) passar. E vejo minha vida na vida dos outros. De vez em quando tenho a impressão de que minha vida é algo absurdamente experimental, é quase uma terceira-pessoa. Eu me narro o que vivo. E penso qual é o tom dessa narrativa, sobre o quão verossimilhante ela é com a vida de fato (a que eu deixo de viver para narrar). Diria que estou numa fase de intensa vivência, mas ironicamente ainda aqui, nesse "lugar comum", a narrativa continua sendo tão latente e potente quanto aquilo que de fato vivo. E só resta a dúvida: vivo? Algum psicólogo comportamental chamaria toda essa poética do absurdo acima de proatividade, e não nego que o seja. Talvez seja o traço de algum arquétipo, algum complexo, que não seria? De humano, basta o chão. A inércia da proatividade lentamente engessa a vivência. Quando percebo estou com os pés enraizados no solo e com as mãos esfaceladas sobre a face ("palmaface"). E aí, quem lerá tanta narrativa? Eu mesmo, que já as conheço? Auto-epístolas é demais até pra mim.
[Pensamento interrompido em função de estar ouvindo "Everything goes my way", do Metronomy.]
[Pensamento interrompido em função de estar ouvindo "Everything goes my way", do Metronomy.]
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Allan Poe; Bíblia Malkaviana; Heráclito de Éfeso;
Bem vindo menino
ao mundo dos tolos
Onde o sexo é desprivatizado
onde o amor é coloca debaixo do tapete
Onde apaixonar é apenas um verbo bonito de se ler
Chegue mais
Desfrute das nossas ninfetinhas com bucetas deliciosas
Elas são apenas carne
Assim como você
Um dia sentirá falta dessa carne
A carne que um dia irá apodrecer
No dia em que perdertes a vontade de comer-las
Buscará por uma nova força para se alimentar
Outras carnes novas
Mas as carnes novas não são as mesmas
Então, quando esse dia chegar
você começará a varrer mais
E talvez, encontre o amor de novo
Aquele amor que você sempre pisou em cima.
Lucy Cieiro. ♥
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sangue real
A expulsão de Éden foi o primeiro marco de tempo. Antes dessa, Adão e Eva foram imortais pela sua criação não constituir marco cronográfico. Talvez um neologismo como cronônico, junção de tempo em Cronus com icônico, no sentido de marca visual contingente de significado; "significante visual". Assim sendo, a imortalidade de Eva e Adão consistia na infinitude de sua criação. Não gosto do sentido ético da relação com o Fruto Proibido, com a Árvore do Conhecimento. Afinal de contas, se Deus já os advertira a não comer tal fruto, já se estabelece um sistema ético, com uma norma explícita: "Não comam o fruto da 'Árvore do Conhecimento'". Isso para mim seria um erro de lógica; negar o mandamento divino já é o pecado. Deus como onisciente e eterno sempre teve conhecimento do pecado e da escolha antiética humana. Deus criou o Homem, dessa forma, para pecar. Deus só conhece o que é verdadeiro, Deus não conheceria e, conseguintemente, não conceberia o Homem se esse não pecasse. A essência do ser humano é o pecado. O que seria o pecado, então? O Fruto da Árvore Proibida traria o que para o Homem?
Só me vem à mente que o Fruto da Árvore seria, de fato, a consciência sexual de seus corpos, o conhecimento do erotismo e da lascívia, assim como diz a doutrina de William Marrion Branham (oh, Wikipédia, shame on me) - porém, se tal tendência ocultista de uma linhagem satânica Cainista, ou mesmo de uma Serpente antropomórfica. Pode ser bobagem, mas a mim o fato do animal ser uma serpente e de ter um fruto, ainda mais, uma maçã, é muito sugestível como parábola à fertilidade, à origem da vida como espermatozoide e óvulo/ ovário. A largos passos, a Árvore e o Fruto proibidos possam parecer como uma alegoria ao patriarcado: o Fruto, feminino, é passivo, está sendo oferecido para ser pego; a Serpente, masculina, é ativa, e seduz Eva a colher o Fruto e consumi-lo com Adão. Considerando-se o mito de Lilith como verdadeiro - o de sua existência, e não sua transformação em Serpente e sedução de Eva (ainda que isso gere uma interessante teoria de relação de Fruto proibido como lesbianidade e Lilith como alternativa sexual-dominante de Adão) -, podemos pensar em tal ponto como a passagem de matriarcado e culto da Grande Mãe (talvez aí o porquê da relação Lilith e Árvore proibida) pro patriarcado e culto de Deus/ Pai celestial. Afinal de contas, talvez o fruto fosse a descendência, pois somente após serem expulsos do Éden e de assim terem a consciência da sexualidade, Adão e Eva tiveram sua prole (em tese iniciada pelo varão Caim, 70 anos após a expulsão de seus progenitores do Éden).
O Fruto da Árvore então é a sexualidade, e a expulsão do Éden o marco cronônico da mortalidade do Homem. Assim, com o distanciamento do marco cronônico inicial e a noção de envelhecimento, cada geração de patriarcas cristãos se torna mais mortal, mais efêmera. Os primeiros antepassados antediluvianos talvez tenham vivido por tanto tempo, por centenas de anos, em função do seu próprio marco cronônico ter também se dilatado: Adão, ao menos, viveu por 900 anos, alcançado sua oitava geração. Logo, Sete, da segunda geração (sendo Adão e Eva a primeira geração), viveu cerca de 100 anos até a morte do seu progenitor; Enos, da terceira, pouco menos, e assim conseguintemente até chegarmos em Noé, em tese o último dos "milenares", cuja prole diminui substancialmente as centenas de longevidade. Isso corroboraria tal tese do marco cronônico, afinal de contas, com o dilúvio, a prole dos antepassados se tornou distante do que havia até então da humanidade. Só Noé, que foi pai tão somente aos 500 anos, continuou com tal herança. Já seu filho, Sem, só o acompanhou por 450 anos, metade do que era então habitual. O seu filho, neto de Noé, acompanhou esse por ainda menos, 350 anos, e seu próprio pai por 500. Não por menos morre com 438, e seu filho com 433. Até o tempo de Jesus Cristo, notavelmente o limite de longevidade já estaria numa só centena. As condições então de sobrevivência com certeza ceifariam ainda mais décimos, com mortes sexagenárias ou menos.
Nós da contemporaneidade estamos recobrando artificialmente o "centenário longevo". Não é mais uma questão de extensão da alma, de decréscimos da antiga longevidade infinita por distanciamento cronônico, mas sim pela condição de restauração e conservação da carne. Talvez nós estejamos de fato no tempo do Apocalipse, onde adolescentes, ainda no seu um décimo de vida, já sofrem dos males do atrito entre sobrevida e morte, com suas obesidades, hipertensões e estresses. Acontece que, se não mais morremos por disenteria ou anemia como há dez ou mais (ou menos) séculos atrás, hoje morremos por condições contextuais que, ainda que sejam completamente diferente daquelas, mostram-se iguais em efeito. O capitalismo é o novo vício, e talvez a redenção - o comunismo pleno - seja utópica e pós-apocalíptica. O comunismo é o novo Éden, o comunismo é o Paraíso velado.
Só me vem à mente que o Fruto da Árvore seria, de fato, a consciência sexual de seus corpos, o conhecimento do erotismo e da lascívia, assim como diz a doutrina de William Marrion Branham (oh, Wikipédia, shame on me) - porém, se tal tendência ocultista de uma linhagem satânica Cainista, ou mesmo de uma Serpente antropomórfica. Pode ser bobagem, mas a mim o fato do animal ser uma serpente e de ter um fruto, ainda mais, uma maçã, é muito sugestível como parábola à fertilidade, à origem da vida como espermatozoide e óvulo/ ovário. A largos passos, a Árvore e o Fruto proibidos possam parecer como uma alegoria ao patriarcado: o Fruto, feminino, é passivo, está sendo oferecido para ser pego; a Serpente, masculina, é ativa, e seduz Eva a colher o Fruto e consumi-lo com Adão. Considerando-se o mito de Lilith como verdadeiro - o de sua existência, e não sua transformação em Serpente e sedução de Eva (ainda que isso gere uma interessante teoria de relação de Fruto proibido como lesbianidade e Lilith como alternativa sexual-dominante de Adão) -, podemos pensar em tal ponto como a passagem de matriarcado e culto da Grande Mãe (talvez aí o porquê da relação Lilith e Árvore proibida) pro patriarcado e culto de Deus/ Pai celestial. Afinal de contas, talvez o fruto fosse a descendência, pois somente após serem expulsos do Éden e de assim terem a consciência da sexualidade, Adão e Eva tiveram sua prole (em tese iniciada pelo varão Caim, 70 anos após a expulsão de seus progenitores do Éden).
O Fruto da Árvore então é a sexualidade, e a expulsão do Éden o marco cronônico da mortalidade do Homem. Assim, com o distanciamento do marco cronônico inicial e a noção de envelhecimento, cada geração de patriarcas cristãos se torna mais mortal, mais efêmera. Os primeiros antepassados antediluvianos talvez tenham vivido por tanto tempo, por centenas de anos, em função do seu próprio marco cronônico ter também se dilatado: Adão, ao menos, viveu por 900 anos, alcançado sua oitava geração. Logo, Sete, da segunda geração (sendo Adão e Eva a primeira geração), viveu cerca de 100 anos até a morte do seu progenitor; Enos, da terceira, pouco menos, e assim conseguintemente até chegarmos em Noé, em tese o último dos "milenares", cuja prole diminui substancialmente as centenas de longevidade. Isso corroboraria tal tese do marco cronônico, afinal de contas, com o dilúvio, a prole dos antepassados se tornou distante do que havia até então da humanidade. Só Noé, que foi pai tão somente aos 500 anos, continuou com tal herança. Já seu filho, Sem, só o acompanhou por 450 anos, metade do que era então habitual. O seu filho, neto de Noé, acompanhou esse por ainda menos, 350 anos, e seu próprio pai por 500. Não por menos morre com 438, e seu filho com 433. Até o tempo de Jesus Cristo, notavelmente o limite de longevidade já estaria numa só centena. As condições então de sobrevivência com certeza ceifariam ainda mais décimos, com mortes sexagenárias ou menos.
Nós da contemporaneidade estamos recobrando artificialmente o "centenário longevo". Não é mais uma questão de extensão da alma, de decréscimos da antiga longevidade infinita por distanciamento cronônico, mas sim pela condição de restauração e conservação da carne. Talvez nós estejamos de fato no tempo do Apocalipse, onde adolescentes, ainda no seu um décimo de vida, já sofrem dos males do atrito entre sobrevida e morte, com suas obesidades, hipertensões e estresses. Acontece que, se não mais morremos por disenteria ou anemia como há dez ou mais (ou menos) séculos atrás, hoje morremos por condições contextuais que, ainda que sejam completamente diferente daquelas, mostram-se iguais em efeito. O capitalismo é o novo vício, e talvez a redenção - o comunismo pleno - seja utópica e pós-apocalíptica. O comunismo é o novo Éden, o comunismo é o Paraíso velado.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Discreto Chame da Burguesia
Resposta a (uma série de) comentário sobre a seguinte notícia:
@Allan Taborda dos Santos
Claro que as leis não devem seguir cegamente os costumes de um povo, mas sim refletir acerca esses e prever o que de melhor pode ser salvaguardado neles. Acho ainda, que os costumes não são o principal enfoque, mas sim as faltas que o sistema em que vivemos reproduz; se não temos boa educação, então devemos ter leis que proíbam assassinatos, roubos, corrupção, etc; se não temos um sistema de promoção da cultura, então devemos ter uma lei de incentivo à cultura.
Mas é óbvio que o interesse dos que estão no poder, quando se pensando da democracia burguesa, não é ter as leis como medidas paliativas que sejam cumpridas até que seja sanada a sua origem, mesmo porque tais faltas são engrenagens do funcionamento do capitalismo. As leis são simplesmente bridas para guiar a massa quanto o interesse burguês. E tal instituição francesa, Hadopi, é um ótimo exemplo disso. A internet é sim um meio que subverte o capitalismo, que propicia o acesso a riqueza virtual, o software, àqueles que não teriam condição de fazê-lo pelo seu caráter de proletário, pequeno-burguês, etc. Tanto que a indústria cultural, anomalia da cultura criada pela ascensão burguesa, já tremeu frente a possibilidade de ter suas mercadorias acessadas gratuitamente pela massa, o que impediria sua continuação (e é aí que se encontra a cultura indie, não de óculos Ray Ban e calça xadrez, mas sim desenvolvendo cultura sem ter que acessar a burguesia cultural e possibilitando seu acesso a todos).
É preciso entender que a cultura é, antes de uma mercadoria, um direito humano. Aquele que faz cultura tem que se ver como influenciador das massas, não como um autor que amarra o que produz com arames farpados (chamados também de "direitos autorais"). Até porque a cultura nunca é algo completo em si, sem influências e fontes. Somente assim seria possível e verdadeira a utilização de tais "direitos do autor", negando a enorme influência, a "Nachleben der Antike" que existe em tudo que fazemos. Tais leis que cerceiam o acesso a cultura são simplesmente antihumanistas. E não estou negando o trabalho de programadores, artistas, editores, ilustradores, etc. Mas uma alternativa além do open source, além da produção indie, é a criação de "softwares lite" e "softwares pro", com bastante sinceridade e menos austeridade. Um bom exemplo, talvez é o Real Player, que como software freeware, limitado, já supri necessidades de usuários comuns.
Não devemos nos resignar com o muramento de conhecimento e cultura, nos satisfazendo com produtos e cultura de massa. Devemos, sim reivindicar por cultura e conhecimento de qualidade, que nos forneça os meios necessários para a nossa própria produção intelectual! Aceitar de cabeça baixa as normas que os burgueses, detentores dos meios de produção em geral, e atentados a deter nosso espírito (favor não fazer a idiotice de ler tal frase religiosamente), é simplesmente vender nossos direitos humanos! É vender nossa humanidade, e atestar a nossa bestialização!
DO WHAT YOU WANT 'CAUSE A PIRATE IS FREE!
Copyright: França já advertiu quase 500 mil por baixarem conteúdo pirata
@Allan Taborda dos Santos
Claro que as leis não devem seguir cegamente os costumes de um povo, mas sim refletir acerca esses e prever o que de melhor pode ser salvaguardado neles. Acho ainda, que os costumes não são o principal enfoque, mas sim as faltas que o sistema em que vivemos reproduz; se não temos boa educação, então devemos ter leis que proíbam assassinatos, roubos, corrupção, etc; se não temos um sistema de promoção da cultura, então devemos ter uma lei de incentivo à cultura.
Mas é óbvio que o interesse dos que estão no poder, quando se pensando da democracia burguesa, não é ter as leis como medidas paliativas que sejam cumpridas até que seja sanada a sua origem, mesmo porque tais faltas são engrenagens do funcionamento do capitalismo. As leis são simplesmente bridas para guiar a massa quanto o interesse burguês. E tal instituição francesa, Hadopi, é um ótimo exemplo disso. A internet é sim um meio que subverte o capitalismo, que propicia o acesso a riqueza virtual, o software, àqueles que não teriam condição de fazê-lo pelo seu caráter de proletário, pequeno-burguês, etc. Tanto que a indústria cultural, anomalia da cultura criada pela ascensão burguesa, já tremeu frente a possibilidade de ter suas mercadorias acessadas gratuitamente pela massa, o que impediria sua continuação (e é aí que se encontra a cultura indie, não de óculos Ray Ban e calça xadrez, mas sim desenvolvendo cultura sem ter que acessar a burguesia cultural e possibilitando seu acesso a todos).
É preciso entender que a cultura é, antes de uma mercadoria, um direito humano. Aquele que faz cultura tem que se ver como influenciador das massas, não como um autor que amarra o que produz com arames farpados (chamados também de "direitos autorais"). Até porque a cultura nunca é algo completo em si, sem influências e fontes. Somente assim seria possível e verdadeira a utilização de tais "direitos do autor", negando a enorme influência, a "Nachleben der Antike" que existe em tudo que fazemos. Tais leis que cerceiam o acesso a cultura são simplesmente antihumanistas. E não estou negando o trabalho de programadores, artistas, editores, ilustradores, etc. Mas uma alternativa além do open source, além da produção indie, é a criação de "softwares lite" e "softwares pro", com bastante sinceridade e menos austeridade. Um bom exemplo, talvez é o Real Player, que como software freeware, limitado, já supri necessidades de usuários comuns.
Não devemos nos resignar com o muramento de conhecimento e cultura, nos satisfazendo com produtos e cultura de massa. Devemos, sim reivindicar por cultura e conhecimento de qualidade, que nos forneça os meios necessários para a nossa própria produção intelectual! Aceitar de cabeça baixa as normas que os burgueses, detentores dos meios de produção em geral, e atentados a deter nosso espírito (favor não fazer a idiotice de ler tal frase religiosamente), é simplesmente vender nossos direitos humanos! É vender nossa humanidade, e atestar a nossa bestialização!
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